Pode-se dizer que podemos estabelecer dois momentos recentes: “antes da pandemia” (ap) e “momentos aparentemente mais brandos da pandemia” (dp).
Pois foi em fevereiro de 2020 “ap” que fiz minha visita anual à Serra Gaúcha vinícola.
Passados dez anos, julguei que era merecida revisitar a Don Guerino.
Um pouco fora do roteiro tradicional do turismo de vinhos da Serra, seria uma injustiça deixá-la de fora. Afinal, aliando excelente recepção, bela arquitetura e ótimos vinhos, não tem como errar.
Para quem vem de Porto Alegre rumo a Bento Gonçalves, na altura de São Vendelino ‒ onde os italianos no século 19 começaram a subir a serra ‒ sai-se da ERS-122 para um percurso de 6 km até a vinícola. O município é Alto Feliz, colonizado por alemães antes da chegada dos italianos.
O cenário

O edifício da recepção com seu vinhedo defronte faz um belo cartão de visita.
Os 60 ha de vinhedos foram em sua maioria constituídos entre 2000 e 2005. A Cabernet Franc clone 214 de Bordeaux, plantada em 2019, é uma das novas apostas da empresa.

A arquitetura de Daniel Palavro, complementado pelo trabalho de Cristiane Rauber, deu o formato modernas das instalações, com as unidades de restaurante/bar/loja e vinificação unidas por túnel onde se encontram garrafas e barricas.

Restaurante e loja dividem o primeiro prédio, em ambientes amplos.
Na sala de tanques, um Fiat vintage contrasta com o inox dos tanques

Minha experiência
Tive uma calorosa recepção de Osvaldo Motter, sua esposa Salete e os filhos Bruno, Maicon e Lucas.
O dia estava bonito. Na mesa/barrica ao ar livre queijos e frios acompanharam o espumante Lumen Brut, um charmat longo blanc de blanc bem elaborado, apresentado numa atraente garrafa espelhada.
Já no restaurante, com ampla visão dos vinhedos, a cozinha está sob tutela de Lucas Motter. O Teroldego Origine 2018, com boa perspectiva de guarda, acompanhou um medalhão com risoto.

Na visita à elaboração dos vinhos fui acompanhada pelo enólogo Bruno Motter, que me surpreendeu com ânforas de terracota, contrastando com foudres e barricas de carvalho.
Agradeço à família Motter. Espero não demorar tanto tempo para o próximo retorno à Don Guerino!